Blues

junho 1, 2008

“O blues é uma forma musical vocal e/ou instrumental que se fundamenta no uso de notas tocadas ou cantadas numa frequência baixa, com fins expressivos, evitando aquelas notas da escala maior, utilizando sempre uma estrutura repetitiva.
Suas letras, muitas vezes, incluíam sutis sugestões ou protestos contra a escravidão ou formas de escapar dela.”

O início

O blues foi criado por pessoas sem conhecimento formal musical e se baseavam na improvisação verbal e instrumental. A simplicidade das letras abriu caminho para que os bluesmen expressassem seus sentimentos.

Foi criado a partir da cultura afro-americano, especialmente a originada do sul dos EUA, das plantações de algodão e usavam-no para embalar o trabalho interminável.

Diz a lenda que W. C. Handy,o (auto-proclamado) pai do blues, ouviu em 1903,viajando clandestinamente em um trem,pela primeira vez um blues, que era tocado por um homem num violão com um canivete.Daí teria surgido o primeiro blues da história, St. Louis Blues. Porém, o mais correto é dizer que ele tomou forma a partir da instrumentalização das canções de trabalho(work songs).

Bluesmen

O primeiro sucesso a surgir como bluesmen foi Charley Patton na década de 20.Na mesma época surgiram sucessos como Son House.


Mas foi na década de 30 que surgiu o maior nome do blues: Robert Johnson.
Dizem que ele encontrou com o diabo e em troca da sua alma, ele se tornaria o bluesmen mais idolatrado de todos os tempos.Parece que funcionou, suas músicas são consideradas os maiores clássicos do blues até hoje.

A primeira mudança mais forte dentro do blues veio com T-Bone Walker, que marcou seu estilo a partir de raízes no jazz.

Com a explosão do blues em Chicago,entre outros fatores, o blues deixou de ser restrito para se tornar cultura popular no sul dos EUA.

Chicago e o blues

Os negros do sul migraram em direção a Chicago fugindo da repressão e buscando properidade. Lá encontraram a eletricidade musical.

O primeiro a eletrificar toda a banda foi Muddy Waters, que talvez seja um dos únicos a ser comparado a Johnson, tendo seu nome reconhecido internacionalmente, influenciando bandas como Rolling Stones e Beatles.

Nomes importantes como Howlin’ Wolf e um dos únicos baixistas líderes de bandas,Willie Dixon, e John Lee Hooker são inevitáveis.

Mas o “rei do blues”, incomparavelmente, foi e é ainda B.B. King com seu jeito inigualável de solar uma guitarra, ou melhor, A guitarra: Lucille.

A revolução do blues britânico
A vertente mais famosa do blues é o rock and roll.Bandas como Led Zeppelin, The Doors,Rolling Stones e Jimi Hendrix Experience foram diretamente influenciadas pelo blues de Chicago, principalmente por Muddy Waters.

Praticamente todos os artistas ligados ao rock ou ao blues regravaram os grandes nomes do blues sulista ao de Chicago.

Anos 80 e o renascimento
O blues começou a perder espaço para outras tendências como o disco.Mas eis que surge do Texas, um guitarritas chamado Stevie Ray Vaughan.Ele foi responsável pelo renascimento do blues como referência musical.Porém sua morte prematura em 1990 foi um golpe duro no blues, que nunca mais teve expressividade como em tempos passados.

Vaughan é considerado um herói por ter conseguido, em meio a músicas feitas como produto, trazer à superfície um estilo que revolucionou a música mundial.

Fonte
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Valendo!

maio 27, 2008

Uma pessoa faz a ilustração e outra faz o texto. Funciona mais ou menos assim, sem tema nenhum, sem dar qualquer pista sobre o que estão fazendo. Me acompanha: de repente um fala para o outro VALENDO! e daí o ilustrador se põe a ilustrar o que lhe der na telha, e a redatora se põe a redigir o que lhe der na cachola. Quando de um canto ela termina o texto e, do outro, ele finaliza a ilustra, sem um saber o que raios o outro fez, eles enviam o trabalho um pro outro, juntam os dois e a obra de arte fica completa. Daí eles publicam o resultado aqui, repleto de coincidências bizarras, legendas engraçadas ou misturas sem sentido.

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Vi no Sedentário & Hiperativo

fevereiro 17, 2008

           

            Cinzenta era a cidade naquela manhã de segunda-feira. O sangue avermelhado brilhava fortemente ao pingar de suas mãos. Ajoelhado ao lado do corpo esquálido, já frio, estava estática. Seus olhos não paravam, iam de um lado a outro da sala, parecendo procurar explicações. Mas não havia. Aquele que fora um bom rapaz um dia, hoje estava ali.

            Parecia que sentia sua alma desprender do corpo, sendo carregada como se fosse ascender aos céus. E esta especulação foi confirmada ao primeiro pingo de chuva daquela tarde (para quem não sabe, toda chuva cai em homenagem a alguém que morre), lavando seu sangue das ruas.

            As pessoas se amontoavam para ver o corpo do santo, jogado no chão de terra batida. As velhinhas rezavam, assim como as beatas, enquanto mulheres choravam e seus maridos tratavam de cobrir o corpo. Crianças ficariam marcadas pela a imagem do sacro homem atravessado por uma bala bem no coração. Este que sempre fora puro, agora foi rasgado por um pedaço sujo de metal.

            Sua noiva entrara em colapso mental. Não sabia aonde ir, para onde olhar, não ouvia ou via a multidão em volta. Chorava aos berros, chorava de amor, de sofrer, de saudade, de dor. A revolta já se infiltrava nos corpos frios de chuva, fazendo-os esquentar. A raiva possuía suas mentes, fazendo-os querer justiça. Ferramentas de campo viraram, por um eterno momento, armas de vingança.       O homem que havia lutado por seu povo, morrera pelas mãos daqueles que deviam protegê-los. E estes morreram para vingar a morte do homem-santo.

           

            Sentia o calor subindo pelas suas pernas, se entranhando em seus músculos o fazendo suar e delirar ao mesmo tempo. Já não agüentava o peso do corpo pendurado apenas pelas mãos, e por isso tentava apoiar-se em alguma mesa ou estante, sem sucesso. Horas passaram e nenhum sinal de vida, nem dos que estavam lhe prendendo ali. Um cheiro de enxofre invadira a sala acompanhada de uma fumaça carregada de fuligem. Tossia, sentia que seus pulmões sofriam para manter-se em funcionamento.

            Não entendia o porquê de estar ali preso. Não se lembrava de qualquer motivo que causasse aquilo, aquele sofrimento quase eterno e nada etéreo. Forçava sua mente. E nada. Descobriu que, como dissera uma vez o poeta, o tempo não pára. Isso era um alívio. Mas também descobriu que o tempo demora a passar, e isso domava sua mente, o fazendo alucinar.

            A corda apertava suas mãos, sentia o sangue parar de circular e sua respiração ficar ofegante. De repente, uma lembrança o atropelou como um caminhão faz com um cervo. Recordou-se do que havia feito. De todos os detalhes, desde a corda, o fogo proposital, o mistério por trás dele mesmo. Estava sentindo o que sua última vítima havia sentido. Começou a entender onde estava. Realmente se arrependera do que havia feito. Mas agora era tarde. Já estava morto e enterrado. Não passara ao menos pelo purgatório.

Tenho que parar de escrever sobre mortos.

Senti as asas batendo sobre mim. Suas leves plumas ventilavam em mim um perfume maravilhoso. Nunca irei esquecer. Não sinto mais medo, nem nada. Carregou-me pela alma em seus braços, olhou-me nos olhos e sorriu. Brilhava em sete cores, inexatas e em uma incoerência divina.

E num instante acordei, e ela não estava lá.

 

Anjos nunca aprenderam a se despedir.

(Sem título…novamente)

fevereiro 9, 2008

E o sofrimento desatinava em seu peito, abrindo uma ferida dolorosa, assim como seu lascivo amor. O tempo corrompe os homens, os faz perder a noção. A combinação dos dois dilacera o coração humano. Nietzsche diz em um de seus livros que o homem corrupto é aquele que nega seus instintos. E ele os negara de uma forma bruta e que seria extremamente doloroso reafirmá-los, ainda mais que acabara de encontrar sua alma gêmea, apesar de não acreditar nessas coisas. Percebe-se que estava caindo no ridículo, obcecado por alguém que nem conhecia. Ela, a amada, era apenas um sonho, de uma noite solitária de inverno. Mas, um sonho tão real, um amor tão real, que ele desistira de tudo que tinha e dos amigos que fizera para ir em busca desta musa, desta deusa, a sua Afrodite, filha do céu e do mar, deusa do amor.

O desespero tomava conta da sua mente já debilitada pelo seu isolamento. Um copo de qualquer coisa alcoólica para relaxar. Um cigarro para acompanhar. Pensou em desistir. Não da vida, e nem da procura, mas sim de ficar acordado. Ele percebeu que não dormira direito após aquela noite fria, e que só assim talvez a encontrasse. Sabendo disso, fechou seus olhos, e ali naquela poltrona de couro adormeceu para finalmente encontrar sua amada, seu sonho, sua melhor noite de inverno. Um aperto no peito, e uma lágrima descendo sobre seu rosto, e ele descobriu que ela também o amava. Alguém também lhe disse que havia saído há semanas à procura de um homem desconhecido, seu amor. Também lhe disseram que estava louca e obcecada. Desesperado, tentou voltar, mas não conseguiu. E adormecera para sempre, solitário, em uma noite fria de inverno.

            

            Acordou e se viu rodeado pelo cotidiano. Levantou suspirando como há tempos fazia e já se acostumava, parecendo nunca conseguir dormir e estar sempre exausto de tanto trabalho. Foi ao banheiro, olhou-se no espelho e viu o reflexo já envelhecido, o cabelo bagunçado e a barba por fazer. Ligou o chuveiro e entrou na água fria, pulando para esquentar-se, fez a barba. Olhou para baixo percebendo que sua barriga crescia devido à idade, e riu disso. Gargalhou, como há tempos não fazia. E de repente, começou a chorar.

            Sentou-se a mesa, olhou sua esposa como se não a conhecesse, sorriu e a beijou como se nunca a tivesse beijado. Abraçou seu filho, olhou-o dentro dos olhos, encarando-o, e os seus encheram-se d’água. Uma gota escorreu umedecendo seu nariz e seus lábios. Secou sua face e sentou-se novamente para tomar café da manhã. Olhou o sol através da janela, e o dia estava lindo. Os raios solares o iluminavam fazendo-o refletir. E refletiu.

            Voltou ao quarto para arrumar-se como sempre. Colocou seu melhor terno, sua melhor gravata e o sapato italiano que lhe fora dado pelo pai um mês antes de sua morte. Foi ao banheiro escovar os dentes, evitando o espelho, demonstrando certa vergonha de si mesmo, como se sua consciência pesasse. Novamente refletiu sobre a vida, e como se isso lhe fizesse mal, vomitou seu café no vaso sanitário ao seu lado. Havia feito alguma coisa e isso não lhe fazia nada bem.

            Entrou no carro com a sensação de que algo, que ele ainda não sabia o quê, dera errado. E este sentimento lhe consumia por dentro o fazendo tremer de medo. Suou frio e ligou o carro. Olhou à frente, respirou profundamente, passou a primeira marcha e acelerou.

            Chegou à sede da empresa, e com certa repulsa, seu estômago embrulhou-se. Enxugou a testa fria e branca. Olhou a cabeça quase sem cabelos, pensando que dali para frente iria perder muito mais em uma velocidade incrível. Conferiu se estava tudo certo, se tinha tudo as mãos. Deu um suspiro e saltou do carro. Olhou para cima, fazendo sua vista alcançar o último andar, o quadragésimo – quinto.

            Passou pela portaria, cumprimentando a todos como nunca fizera, gesto que fora estranhado até pelos seus mais antigos funcionários, pois muitos deles haviam sequer o visto em 15 anos de trabalho. Não subira pelo elevador reservado como fazia de costume, e sim pelo de funcionários. Estes se entreolhavam, cumprimentavam-no, alguns até tentaram apresentar-lhe propostas de projetos, mas ele estava absorto.

            Subiu ao seu escritório no topo do prédio. Entrou na sala, olhou pela janela a cidade cinza. Os carros passavam em um ritmo frenético, assim como as pessoas extasiadas pelo consumo, pelo ter, esquecendo completamente o ser. Fechou os olhos, e pensou em tudo que havia construído. Uma vida perdida. Não mais amava sua esposa, mal via seu filho, não sentia mais prazer em ter poder como sentira antes.

            Abriu a janela grande, ouviram-se gritos e freadas de carros. A cidade parou por um breve momento. Anjos e demônios disputaram sua alma. E a vida continuou.

 

Muitas pessoas reclamam do Brasil. Entendo. Mas a culpa não é do Brasil, e sim da corrupção. Apesar de tudo, nosso país é alegre, recebe bem a todos em qualquer lugar, faz amizade fácil, não faz cerimônias (o que às vezes pode se confundir com falta de educação).

Não somos um país de jovens frios que se preocupam apenas em estudar e ajudar o seu país a dominar a economia mundial, como a Coréia. Tudo bem que nossos jovens poderiam ter um pouco mais de cultura, escutar músicas melhores, ler um pouco(muito) mais.

Temos o futebol e o samba, que para alguns são instrumentos de alienação. Mas na verdade não, são instrumentos de fuga. Fuga da cruel realidade vivida pela maior parte da população. São instrumentos de união do povo. Em um estádio de futebol, tirando a rivalidade entre as torcidas, todos são iguais: brancos, negros, amarelos, homens, mulheres, idosos e jovens.

E o samba. A música exclusivamente brasileira, que nunca acabou e não vai acabar. “Há muito tempo escuto esse papo furado dizendo que o samba acabou, só se foi quando o dia clareou”, canta Paulinho da Viola em “Eu Canto Samba”. Ele é juntamente com a Bossa, a maior expressão musical que nós temos.