(Desisto de títulos…de nomes idem)

fevereiro 12, 2008

           

            Sentia o calor subindo pelas suas pernas, se entranhando em seus músculos o fazendo suar e delirar ao mesmo tempo. Já não agüentava o peso do corpo pendurado apenas pelas mãos, e por isso tentava apoiar-se em alguma mesa ou estante, sem sucesso. Horas passaram e nenhum sinal de vida, nem dos que estavam lhe prendendo ali. Um cheiro de enxofre invadira a sala acompanhada de uma fumaça carregada de fuligem. Tossia, sentia que seus pulmões sofriam para manter-se em funcionamento.

            Não entendia o porquê de estar ali preso. Não se lembrava de qualquer motivo que causasse aquilo, aquele sofrimento quase eterno e nada etéreo. Forçava sua mente. E nada. Descobriu que, como dissera uma vez o poeta, o tempo não pára. Isso era um alívio. Mas também descobriu que o tempo demora a passar, e isso domava sua mente, o fazendo alucinar.

            A corda apertava suas mãos, sentia o sangue parar de circular e sua respiração ficar ofegante. De repente, uma lembrança o atropelou como um caminhão faz com um cervo. Recordou-se do que havia feito. De todos os detalhes, desde a corda, o fogo proposital, o mistério por trás dele mesmo. Estava sentindo o que sua última vítima havia sentido. Começou a entender onde estava. Realmente se arrependera do que havia feito. Mas agora era tarde. Já estava morto e enterrado. Não passara ao menos pelo purgatório.

Tenho que parar de escrever sobre mortos.

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