fevereiro 17, 2008

           

            Cinzenta era a cidade naquela manhã de segunda-feira. O sangue avermelhado brilhava fortemente ao pingar de suas mãos. Ajoelhado ao lado do corpo esquálido, já frio, estava estática. Seus olhos não paravam, iam de um lado a outro da sala, parecendo procurar explicações. Mas não havia. Aquele que fora um bom rapaz um dia, hoje estava ali.

            Parecia que sentia sua alma desprender do corpo, sendo carregada como se fosse ascender aos céus. E esta especulação foi confirmada ao primeiro pingo de chuva daquela tarde (para quem não sabe, toda chuva cai em homenagem a alguém que morre), lavando seu sangue das ruas.

            As pessoas se amontoavam para ver o corpo do santo, jogado no chão de terra batida. As velhinhas rezavam, assim como as beatas, enquanto mulheres choravam e seus maridos tratavam de cobrir o corpo. Crianças ficariam marcadas pela a imagem do sacro homem atravessado por uma bala bem no coração. Este que sempre fora puro, agora foi rasgado por um pedaço sujo de metal.

            Sua noiva entrara em colapso mental. Não sabia aonde ir, para onde olhar, não ouvia ou via a multidão em volta. Chorava aos berros, chorava de amor, de sofrer, de saudade, de dor. A revolta já se infiltrava nos corpos frios de chuva, fazendo-os esquentar. A raiva possuía suas mentes, fazendo-os querer justiça. Ferramentas de campo viraram, por um eterno momento, armas de vingança.       O homem que havia lutado por seu povo, morrera pelas mãos daqueles que deviam protegê-los. E estes morreram para vingar a morte do homem-santo.

Milk

fevereiro 13, 2008

Artista incrível.

MySpace de Milk

           

            Sentia o calor subindo pelas suas pernas, se entranhando em seus músculos o fazendo suar e delirar ao mesmo tempo. Já não agüentava o peso do corpo pendurado apenas pelas mãos, e por isso tentava apoiar-se em alguma mesa ou estante, sem sucesso. Horas passaram e nenhum sinal de vida, nem dos que estavam lhe prendendo ali. Um cheiro de enxofre invadira a sala acompanhada de uma fumaça carregada de fuligem. Tossia, sentia que seus pulmões sofriam para manter-se em funcionamento.

            Não entendia o porquê de estar ali preso. Não se lembrava de qualquer motivo que causasse aquilo, aquele sofrimento quase eterno e nada etéreo. Forçava sua mente. E nada. Descobriu que, como dissera uma vez o poeta, o tempo não pára. Isso era um alívio. Mas também descobriu que o tempo demora a passar, e isso domava sua mente, o fazendo alucinar.

            A corda apertava suas mãos, sentia o sangue parar de circular e sua respiração ficar ofegante. De repente, uma lembrança o atropelou como um caminhão faz com um cervo. Recordou-se do que havia feito. De todos os detalhes, desde a corda, o fogo proposital, o mistério por trás dele mesmo. Estava sentindo o que sua última vítima havia sentido. Começou a entender onde estava. Realmente se arrependera do que havia feito. Mas agora era tarde. Já estava morto e enterrado. Não passara ao menos pelo purgatório.

Tenho que parar de escrever sobre mortos.

Antes de João Hélio…nada.

Depois de João Hélio…apenas lembranças e revoltas.

Veja aqui matéria do d’O Globo Online sobre um ano de morte do assassinato do menino João Hélio.

Fotos

fevereiro 11, 2008

 Faces em todos os lugares. Literalmente.

Faces on Places

Fotos lindas do interior. 

Ana Mokarzel

Um fotógrafo pervertido fez a platéia do show do Red Hot Chili Peppers parecer uma grande orgia.

Coachella Porn

Senti as asas batendo sobre mim. Suas leves plumas ventilavam em mim um perfume maravilhoso. Nunca irei esquecer. Não sinto mais medo, nem nada. Carregou-me pela alma em seus braços, olhou-me nos olhos e sorriu. Brilhava em sete cores, inexatas e em uma incoerência divina.

E num instante acordei, e ela não estava lá.

 

Anjos nunca aprenderam a se despedir.

F.P.

fevereiro 11, 2008

Viver não é necessário; o que é necessário é criar.

Não conto gozar a minha vida; nem em gozá-la penso.

Só quero torná-la grande,

ainda que para isso tenha de ser o meu corpo e a (minha alma) a lenha desse fogo.

(Sem título…novamente)

fevereiro 9, 2008

E o sofrimento desatinava em seu peito, abrindo uma ferida dolorosa, assim como seu lascivo amor. O tempo corrompe os homens, os faz perder a noção. A combinação dos dois dilacera o coração humano. Nietzsche diz em um de seus livros que o homem corrupto é aquele que nega seus instintos. E ele os negara de uma forma bruta e que seria extremamente doloroso reafirmá-los, ainda mais que acabara de encontrar sua alma gêmea, apesar de não acreditar nessas coisas. Percebe-se que estava caindo no ridículo, obcecado por alguém que nem conhecia. Ela, a amada, era apenas um sonho, de uma noite solitária de inverno. Mas, um sonho tão real, um amor tão real, que ele desistira de tudo que tinha e dos amigos que fizera para ir em busca desta musa, desta deusa, a sua Afrodite, filha do céu e do mar, deusa do amor.

O desespero tomava conta da sua mente já debilitada pelo seu isolamento. Um copo de qualquer coisa alcoólica para relaxar. Um cigarro para acompanhar. Pensou em desistir. Não da vida, e nem da procura, mas sim de ficar acordado. Ele percebeu que não dormira direito após aquela noite fria, e que só assim talvez a encontrasse. Sabendo disso, fechou seus olhos, e ali naquela poltrona de couro adormeceu para finalmente encontrar sua amada, seu sonho, sua melhor noite de inverno. Um aperto no peito, e uma lágrima descendo sobre seu rosto, e ele descobriu que ela também o amava. Alguém também lhe disse que havia saído há semanas à procura de um homem desconhecido, seu amor. Também lhe disseram que estava louca e obcecada. Desesperado, tentou voltar, mas não conseguiu. E adormecera para sempre, solitário, em uma noite fria de inverno.

The Decapitator

fevereiro 9, 2008

Apenas mais uma campanha viral?Espero que não =].

Adoro artistas urbanos.

Flickr do decapitador

De acordo com o Programa Ambiental das Nações Unidas, detritos de plástico constituem 90% de todo o lixo flutuante nos oceanos. O programas estimada que 46.000 peças de plástico flutuantes provocam a morte de mais de um milhão de aves e de outros 100.000 mamíferos marinhos por ano. Seringas, isqueiros e escovas já foram encontrados nos estômagos de animais marinhos mortos.

Leia aqui o post inteiro do Neurônios Hiperativos